PROJETOS MISSIONÁRIOS PARA ÁFRICA

Quando, em 1975, a Convenção Geral das Assembleias de Deus resolveu criar a Secretaria Nacional de Missões, SENAMI, por certo não pensava apenas num órgão burocrático expedidor de credenciais missionárias. A descrição daquele momento histórico, contida no livro História das Assembleias de Deus, mostra um punhado de obreiros dispostos a buscar os perdidos onde quer que se encontrassem. Era a resposta aos clamores de povos secularmente escravizados e que despertavam para a liberdade.  Esses povos não clamavam apenas pela liberdade política, já conquistada com muito sangue, suor e lágrimas. Clamavam também por libertar-se dos grilhões que aprisionavam almas.  Dali em diante as Assembleias de Deus queriam engajar-se com maior denodo na obra missionária. A partir de então, programas de adoção de obreiros vêm dando expressivos resultados, promovendo parcerias entre igrejas, transferindo e remanejando recursos humanos para a tarefa maior da Igreja:  pregar o evangelho. Não se buscam apenas candidatos intelectualmente qualificados, mas, sobretudo, aqueles que, tendo ouvido e aceito a chamada divina, se dispõem a aceitar os desafios do tempo presente. Não só as missões nacionais têm sido estimuladas, mas também as transculturais, pois temos consciência de que o campo é o mundo. Talvez sejam dos africanos os clamores mais comoventes do nosso tempo. Nossos corações se confrangem, quando vemos minúsculas embarcações, amontoadas de homens, mulheres e crianças, demandando Lampedusa, a ilha europeia mais próxima do continente africano, em busca da esperança, que já não existe em suas pátrias. Muitos morrem no mar. Sem luz, sem lar, sem recursos e sem salvação.

Por longos séculos a África sofreu os horrores do colonialismo e da escravidão. Seus povos, economicamente destroçados, sofrem ainda hoje, os efeitos desastrosos daquela quadra histórica. A onda de liberação que os alcançou após a segunda grande guerra e a derrocada do comunismo, no final do século passado, não conseguiu , senão com raras exceções, efeitos maiores que a autonomia política formal. O predomínio islâmico no continente produziu resultados devastadores na economia, na política, na cultura e na liberdade religiosa. A Igreja reconhece sua responsabilidade diante desta constatação e persevera no envio de missionários para a África, alguns até mesmo exercendo tarefas paralelas, em respeito às leis restritivas. Qualquer projeto missionário deverá considerar a avançada islamização dos africanos, conduzida de modo persistente, a partir do século VII. Igualmente devem ser consideradas as correntes migratórias, oriundas das antigas colônias, que incidem de modo avassalador sobre as grandes cidades europeias. Não raro o terrorismo islâmico se infiltra nessas correntes, promovendo trágicos atentados, como as explosões nos metrôs de Madri e de Londres. Relembramos também o lamentável episódio de um brasileiro perseguido e morto pela polícia londrina, por ter sido confundido com um terrorista islâmico.

A MEG busca cooperar com esses objetivos da Igreja, através de informações confiáveis, que estimulem a coordenação e integração de esforços em diferentes áreas. Para implementar projetos de adoção missionária em África, devemos estimular parcerias entre igrejas que desejem atuar em conjunto, a fim de possibilitar resultados que não seriam alcançados isoladamente. Temos a convicção de que parcerias idôneas produzem resultados mais expressivos. Sabemos que elas se encontram em plena execução em países africanos, onde muitos obreiros locais são mantidos por igrejas brasileiras. A  SENAMI dispõe de um banco de dados com preciosas informações à disposição das Igrejas interessadas.

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1Co 15.58).

Paulo Ferreira é pastor na Assembleia de Deus do Rio de Janeiro

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