PERSPECTIVAS DE PAZ NO ORIENTE MÉDIO

O Oriente Médio é uma região politicamente instável, sobretudo em face das fronteiras ali traçadas pelo colonialismo franco-britânico, contestadas pelos países da região. A proclamação do Estado de Israel em 1948 provocou uma série de conflitos entre árabes e israelenses (Guerra da Independência de Israel, Guerra dos Seis Dias, Guerra do Yon Kipur e outras). A mais recente dessas guerras irrompeu a 7 de outubro de 2023, provocada pela invasão do grupo terrorista Hamas, que partindo da Faixa de Gaza, cruzou a fronteira, atacou um grupo de pessoas que participavam de uma festa, matando mais de mil e fazendo 250 reféns. A pronta reação israelense atraiu outros grupos terroristas, dando assim início à mais prolongada guerra já ocorrida na região, desde a fundação do Estado de Israel e atraindo para o conflito o grande aliado de Israel, os Estados Unidos da América.

Analisando o contexto bélico do Oriente Médio, verificamos que a atual guerra nada mais é do que a continuação dos numerosos conflitos que ali se propagaram desde os tempos bíblicos, quando Hagar, serva egípcia de Sara, esposa estéril de Abraão, deu a este um filho, (Ismael) como era costume na época, se um senhor de escravos fosse casado com mulher estéril. Ocorre que Sara foi curada de sua esterilidade, e deu também um filho a Abraão (Isaque) que se tornou o herdeiro legítimo de seu pai. Conflito entre os dois herdeiros, crianças ainda, gerou a expulsão de Hagar da casa de sua patroa, não sem antes Abraão obter de Deus a promessa de fazer da descendência de Ismael uma grande nação.

A vigorosa intervenção de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, neste milenar conflito, com cessar fogo, devolução de reféns, libertação de terroristas presos e provável celebração de acordos de paz entre os beligerantes, abre espaços para diversas expectativas. Todavia, a despeito da evidente superioridade bélica de Israel e seu grande aliado, os Estados Unidos, por certo suscitará, ou ressuscitará antigas disputas políticas, territoriais, petrolíferas, antissemitas, e a Organização das Nações Unidas terá grande dificuldade em urdir um acordo de paz que atenda, ao mesmo tempo, às partes beligerantes e ao Oriente Médio como um todo. Em 14 de maio de 1948 ressurgia, após dois mil anos, a nação judaica. Países vizinhos tentaram destruí-la a partir daquela mesma noite, com um ataque aéreo egípcio. Mas quem conhece a Bíblia e crê nela, sabe que Jerusalém ocupa lugar especial nas profecias e nos planos divinos para o futuro da humanidade. O que podemos avaliar com boa probabilidade de acerto é que por mais bem elaborado que seja o mencionado acordo, ora em gestação, o mesmo será de curta duração, considerando-se os múltiplos conflitos de interesses em jogo naquela região. Que Deus abençoe Israel. Haja paz em Jerusalém.

Pr. PAULO FERREIRA

Pr. Paulo Ferreira é oficial superior da Marinha, diplomado em Altos Estudos de Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra; ex-Delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa em Washington, DC; ex-Conselheiro Militar na Organização dos Estados Americanos (OEA).

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