PERSEGUIÇÕES E AVANÇOS DA IGREJA CRISTÃ

O Dicionário do Movimento Pentecostal, organizado por Isael de Araújo e publicado pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus, define Perseguição como “Conjunto de ações repressivas realizadas por um grupo específico sobre outro, o qual se demarca por determinadas características religiosas, culturais, políticas ou étnicas.” Acrescenta a citada publicação que o cenário mais comum consiste na opressão de um grupo minoritário por parte de uma maioria, já que o inverso é, na maior parte dos casos, muito improvável.

Nos três séculos que se seguiram ao surgimento da Igreja, ela sofreu inúmeras e as mais variadas perseguições, em face do enfrentamento inevitável entre ela e as sociedades onde se estabeleceu, porquanto os costumes religiosos se haviam degradado, conforme se constata na leitura do Antigo Testamento e na abordagem feita pelo Senhor Jesus Cristo durante seu Ministério terreno. Sucessivas ondas de perseguição seguiram-se ao Pentecostes, quando Pedro e João, cheios do Espírito Santo, realizaram a cura de um coxo de nascença que esmolava à porta do templo. Apesar da proibição dos sacerdotes, prosseguiram pregando o evangelho, sendo presos e maltratados pelas autoridades por fazerem o bem, curando enfermos e enchendo o povo de esperança. Segue-se a morte de Estêvão, cujas vestes foram entregues a um mancebo chamado Saulo. Este também se converteu enquanto se dirigia a Damasco, onde prenderia quem ousasse seguir pregando o evangelho. De tal maneira cresceu a Igreja durante as perseguições que no ano 312 o imperador romano Constantino converteu-se ao Cristianismo. A Igreja obteve então liberdade para pregar o evangelho e em 380, já sob o imperador Teodósio, o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano. Agora, quem buscava notoriedade e desejava acercar-se do imperador, convertia-se ao Cristianismo. Historiadores sustentam que sucessivos imperadores romanos aproximaram-se do Cristianismo, na tentativa de impedir a fragmentação do Império, que já começara. Proclamada a supremacia do bispo de Roma, os imperadores tinham centralizados em Roma, sob seu controle, o governo e a Igreja. Daí em diante estavam lançadas as sementes de discórdia que desfigurariam a Igreja e levariam o Império a queda inevitável, no ano 476.

 Tratemos de outro exemplo histórico de Igreja perseguida:

A Rússia entrou no século XX como a maior nação cristã ortodoxa do mundo. 90 milhões dos seus 125 milhões de habitantes do final do século XIX eram ortodoxos. Vitoriosa, a revolução comunista de 1917 desencadeou feroz perseguição à Igreja. Seu objetivo principal era esmagar a religião. Lênin ordenou o confisco de objetos de valor da Igreja. Confiscos violentos produziram conflitos e pessoas que tentaram defender a Igreja foram fuziladas, informa o historiador Aleksei Beglov. Entra em cena, em 1925, a Liga dos Ateus Militantes, para informar que a religião era uma sombra perniciosa do passado. Perseguições na década de 1930 apontam para 100 mil vidas ceifadas em condenações relacionadas com a Igreja. Em 1941 a Liga tinha mais de 3 milhões de membros. Em 1943 Stalin mudou de posição quanto à fidelidade dos ortodoxos e permitiu-lhes que escolhessem novo Patriarca. A principal razão da mudança foi a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, de suspender a ajuda americana concedida aos soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial, que os soviéticos chamavam de A Grande Guerra Patriótica. Entre 1958 e 1965, surge nova onda antirreligiosa, movida por Nikita Khruschev, menos cruenta, que permitiu a sobrevivência dos ortodoxos.

Chegamos a 1985, quando Mikhail Gorbachev assume o cargo de Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética. Mesmo sendo ateu, adotou nova lei sobre liberdade religiosa, visitou o Papa no Vaticano e ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Em 1991 a União Soviética foi dissolvida. Foi um marco indelével para os cristãos ortodoxos, que foram duramente provados durante mais de 70 anos de comunismo, mas ressurgiram fortalecidos das provações.

Deus é o Senhor da História. Durante os mais de vinte séculos de sua existência a Igreja passou por inúmeras tentativas de destruição. Tendo sobrevivido a todas e ressurgido sempre maior e mais forte, comprovou no meio de lutas intensas, que devemos firmar-nos na fé e na promessa do Senhor Jesus Cristo: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo16.33).

Paulo Ferreira é pastor na Assembleia de Deus – Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro

                                                                                                  

Imagem Fonte: Site Vatican News

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