MISSÕES EM ÁREAS DE RISCO

No mundo atual, onde o número de conflitos religiosos cresce assustadoramente, fazer missões pode tornar-se atividade perigosa e a segurança dos obreiros em certas áreas é um desafio. Perseguições, conflitos envolvendo muitas vezes facções da mesma religião, tornaram o evangelho um assunto proibido em muitos lugares. Evidentemente, implantar igrejas em lugares assim, seria colocar em risco não só vidas preciosas de famílias inteiras, como também instituições que desenvolvem, solidariamente com a Igreja, tarefas complementares à obra missionária.

 A Igreja de hoje, portanto, deve utilizar-se de outras opções, para prosseguir no cumprimento do Ide que lhe foi confiado. Uma delas é a discrição. Jesus é o exemplo maior a ser seguido nas tarefas desafiadoras que a Igreja passou a enfrentar. Vários foram os milagres que Jesus recomendou aos discípulos que não fossem divulgados: a transfiguração (Mt 17.9); a cura do leproso (Mt 8.4); da filha de Jairo (Mc 5.43) e outros. Encontramos em João 7.1 Jesus evitando andar pela Judeia, a fim de negar aos judeus a chance de o matarem. (E, depois disso, Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judeia, pois os Judeus procuravam matá-lo). Ora, se viera para ser morto, por que então agia assim? Para evitar a precipitação de acontecimentos que tinham tempo certo para se cumprirem.

Portanto, é lícito que as Igrejas e agências missionárias adotem medidas de segurança nas atividades dos obreiros que desenvolvem tarefas em áreas de risco. Como sabemos, os muçulmanos são muito ativos em fazer missões. E o fazem por conhecerem de perto o sistema democrático onde vivemos, sabendo que nem de longe correm riscos nos contatos que têm com nossas populações, em busca de adeptos para sua religião. Não nos referimos, é claro, aos que vêm para perpetrar atos terroristas e que, evidentemente, desafiam as leis vigentes nas democracias. A Internet, a radiodifusão, a televisão, as redes sociais, são auxílios preciosos de que a Igreja deve, complementarmente, lançar mão.

Nossos tempos são trabalhosos. Igrejas e agências missionárias devem cuidar bem da segurança de seus obreiros, evitando-lhes riscos desnecessários, exatamente como fazia Jesus. A fim de não precipitarmos acontecimentos que, além de custarem vidas preciosas, podem até mesmo retardar a chegada do Evangelho até os confins da Terra. 

Paulo Ferreira é pastor na Assembleia de Deus – Recreio dos Bandeirantes – R. de Janeiro; Oficial Superior da Marinha, diplomado em Altos Estudos de Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra (ESG) e ex-Conselheiro Militar da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, EUA.

                                                                                                  

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