MISSIONÁRIOS PARA A ETIÓPIA

Resumo Histórico – Etiópia é um dos países mais antigos do mundo e o único da África que jamais foi colônia de outra nação. Sua História é singular. Com Eritreia, Sudão, Djibuti, Somália, e Somalilândia formava, por volta do ano 1000, o Império Axum, que teve origem no Reino de Sabá, referido na Bíblia (1Reis 10.1-13). Tradições etíopes afirmam que a Rainha de Sabá gerou um filho do rei Salomão, que se chamou Bayna-Lehkem (filho do sábio). Fontes oficiais indicam que a cidade de Axum teria sido a capital onde se encontrava a corte da Rainha de Sabá. O livro Kebra Nagast (Glória dos Reis), considerado na Etiópia como fonte histórica indiscutível, explica muitas tradições do país e nele se encontram reveladas questões bíblicas intrigantes, que até hoje permanecem sem resposta.

Falashas – os judeus etíopes – Em 1991 um grupo de judeus negros da Etiópia, que se autodenominam Beta Israel, protagonizou, com a ajuda do então embaixador de Israel na Etiópia, Asher Naim, e da Força Aérea Israelense, um êxodo milagroso: durante uma encarniçada guerra civil foram transportados de Adis Abeba, capital do país, para Tel Aviv, 14.200 falashas, numa operação aérea que durou 25 horas e foi denominada Operação Salomão. Nessa ocasião um jumbo, que normalmente pode levar 500 passageiros, transportou de uma só vez 1087 falashas, feito este registrado no livro Guiness de recordes.

Cristianismo na Etiópia – Estatísticas locais indicam cerca de 55% de cristãos na população. Segundo relato bíblico (Atos 8.26-40) o apóstolo Filipe foi levado pelo anjo do Senhor ao deserto, onde se encontrou com alto funcionário da rainha dos etíopes que retornava de Jerusalém, onde fora adorar. Esse encontro resultou na conversão do funcionário, que, de volta a sua terra, teria fundado uma das mais antigas igrejas cristãs fora de Jerusalém, que hoje seria a Igreja Ortodoxa da Etiópia. O Cristianismo tornou-se religião nacional do Império de Axum no século IV. No ano 395 o Império Romano dividiu-se em dois, ficando, portanto, com duas sedes, uma ocidental, em Roma, e outra oriental, em Constantinopla, antiga Bizâncio, que se tornou o centro do poder imperial. No ano de 1054 ocorreu o chamado Cisma do Oriente, quando os cristãos romanos e bizantinos se separaram, em virtude de profundas divergências entre Papas e Imperadores. Formaram-se, pois, duas Igrejas: a Ocidental, sediada em Roma e a Oriental, em Constantinopla. A Igreja Ortodoxa da Etiópia passou a fazer parte da Igreja Oriental.

A influência do poder imperial sobre a Igreja tornara-se predominante, desde o ano 312, quando o imperador romano Constantino converteu-se ao Cristianismo. Historiadores sustentam que esta conversão ocorreu para salvar o Império da decadência, pois o Cristianismo se espalhara pelo mundo, e o imperador vislumbrava a possibilidade de unir politicamente o Império e a fé cristã. O esquema não funcionou, em virtude das profundas diferenças de cultura, História e tradições religiosas dos muitos povos que compunham o Império. Finalmente o Império Romano do Ocidente sucumbiu no ano 476, com a invasão dos povos bárbaros. O Império Romano do Oriente (Bizantino) sobreviveu até 1453, quando também sucumbiu, com a invasão de Constantinopla pelos turcos. O Cisma Oriental de 1054, acima mencionado, resultou, como dissemos, de profundas divergências entre Papas e Imperadores. Essas divergências se acentuaram, em face das diferenças culturais, teológicas, históricas e das tradições de ambas as Igrejas. O cisma explica as imensas dificuldades no envio de missionários à Igreja Etíope pelas igrejas evangélicas ocidentais. É necessário que busquemos os muitos pontos de convergência de nossa fé, pois somos servos do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Pr. Paulo Ferreira serve ao Senhor na Assembleia de Deus – Recreio dos Bandeirantes – RJ

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *