Corria o ano de 1859. Jean-Henri Dunant, comerciante suíço com negócios no norte d’África, tentava entrevistar-se com o imperador francês Napoleão III, a fim de dirimir pendências em seus negócios naquela região. O imperador encontrava-se na Itália, onde seu exército, aliado aos italianos, enfrentava uma invasão dos austríacos. Dunant presenciou a batalha decisiva da guerra nas proximidades da cidade de Solferino e testemunhou o sofrimento de milhares de feridos entregues ao abandono, sem qualquer tipo de tratamento. Dunant era filho de calvinistas e crescera vendo seus pais participarem de atividades de ajuda ao próximo, cuidando de pobres, ex-presidiários, doentes e necessitados. Ali mesmo em Solferino, diante do quadro horrendo de 40.000 mortos e feridos, tomou a decisão de socorrer os milhares de feridos de ambos os lados, mobilizando voluntários, abandonando a ideia de entrevistar-se com o imperador francês, motivo de sua viagem de negócios. Ali nascia o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e esboçavam-se as primeiras Convenções de Genebra, para cuidar de feridos e mutilados daquela sangrenta batalha. Dunant foi o primeiro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, quando este foi instituído em 1901. Portanto, podemos afirmar que a Igreja estava ali, no meio da guerra, lutando pela paz.
Hoje sabemos que não somente as guerras produzem crises humanitárias. Vivemos nestes dias os efeitos do corona vírus, que tantos males tem provocado no mundo inteiro. Catástrofes naturais, como secas e enchentes; dramas de refugiados e fugitivos em busca de vida digna; preconceitos de raça ou religião; perseguições políticas; escassez. No meio desses dramas surge a Igreja, como fonte de esperança. Voltando aos primórdios, encontramos Jesus exercendo o ministério holístico, curando, alimentando, e oferecendo vida eterna, onde coisas materiais nada significam considerando-se a presença do Espirito Santo em nossos corações. No episódio da multiplicação dos pães Jesus se compadece de uma multidão faminta e necessitada, comparando-a com um rebanho sem pastor. Alimenta-a. Dia seguinte, foge da mesma multidão, que voltara, buscando arrebatá-lo e fazê-lo rei, somente para conseguir dele mais pão material. Noutro episódio Jesus se aproxima de uma mulher em Samaria, à beira de um poço onde ela fora buscar água. Pede-lhe um pouco d’água e ela nega, alegando conflitos entre judeus e samaritanos que os mantinham afastados. Jesus não desiste e procura iniciar conversa: “se tu soubesses quem te pede água, tu lhe pedirias e ele te daria água viva”. A mulher se interessa por aquela água especial, e o encontro toma um rumo agradável e surpreendente. Em 15 minutos a mulher samaritana descobre que está frente a frente com o Messias. Vai anunciá-lo na cidade, seus vizinhos convidam Jesus a estar com eles. Jesus ficou dois dias ali, e muitos se converteram.
Eis o grande diferencial da Igreja. Enquanto as instituições humanas buscam apenas saciar fome e sede físicas e curar enfermidades do corpo, oferecemos às multidões o pão da vida e a água viva – Jesus. Cura para o corpo, alimento para a alma e garantia de vida eterna.
Pr. Paulo Ferreira
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