ASSEMBLEIA DE DEUS – 110 ANOS

Quando comparamos os dias atuais com a alvorada do Movimento Pentecostal no Brasil, constatamos a mão de Deus dirigindo os que foram chamados para conduzir aquela fase inicial. O Dicionário do Movimento Pentecostal, publicado pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus, reserva 16 páginas para o verbete Perseguição, onde podemos constatar diferentes formas de rejeição, hostilidade, ameaças e perseguições, tal qual aconteceu nos países onde ocorreram as primeiras manifestações do Pentecostalismo. A partir de meados do século XVI a Europa foi palco de sangrentas guerras entre católicos e protestantes, porquanto a rápida expansão da Reforma quebrou a hegemonia de que desfrutava a Igreja Católica. Essas guerras fizeram surgir, entre os cristãos reformados, movimentos que buscavam maior transformação espiritual, em vez de confrontos com o catolicismo. Surgem então o Pietismo na Alemanha, o Puritanismo na Inglaterra e a Igreja Moraviana, movimentos estes considerados  como as primeiras manifestações do Pentecostalismo, que desaguaram no Movimento da Santidade, no Colégio Bíblico de Topeka e no avivamento da Rua Azusa. Dali vieram Gunnar Vingren e Daniel Berg, missionários suecos fundadores da Assembleia de Deus no Brasil em 1911. A inserção do Pentecostalismo na Reforma conferiu-lhe um ritmo novo, desconhecido nos séculos anteriores.

No Brasil já se conhecia o protestantismo histórico, autorizado pelo imperador a abrir  igrejas, desde que não tivessem forma exterior de templo (torres, sinos). Chegados a Belém do Pará, Berg e Vingren, batistas que eram, buscaram apoio entre os coirmãos locais, que logo os despediram, em face das diferenças doutrinárias trazidas pela mensagem Pentecostal. Nasce, então, a Assembleia de Deus, que cresceu rapidamente e se espalhou, não somente no Pará, mas em todo o Brasil.

O avanço do Pentecostalismo, liderado pela Assembleia de Deus, suscitou diferentes   reações e abordagens no protestantismo histórico, existente no Brasil, como dissemos, desde o império. Também no meio pentecostal, a partir da década de 1970, surgiram novas abordagens. Entre os históricos surgiram os chamados “renovados”, que aceitaram a glossolalia como dom do Espírito Santo. Entre os pentecostais, divergências doutrinárias deram surgimento aos chamados “neopentecostais”.

Dados do censo de 2010 apontam para 51,2 milhões de evangélicos, dos quais 24 milhões são pentecostais. Estima-se que estes sejam atualmente cerca de 30 milhões. Louvemos ao Senhor pela sua multiforme graça, que nos últimos 110 anos alcançou tão expressivo número de brasileiros.

Pr. Paulo Ferreira

Paulo Ferreira é Pastor na Assembleia de Deus – Recreio dos Bandeirantes – Rio de Janeiro   

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *