A REFORMA PROTESTANTE E O DISCIPULADO


E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.  Tg 1.22

Introdução – O termo discipulado é empregado no meio evangélico para definir o conjunto de ações, ensinamentos e atitudes que visam a transformar o crente recém- convertido em um discípulo, através de mudanças comportamentais que o tornem  imitador de Cristo. O processo inicial o  habilita ao batismo em águas, o que não significa que o discipulado se encerra com o batismo. Essas mudanças  se prolongam por toda a vida do crente, num processo continuado que a Bíblia chama de santificação. As palavras discípulo e disciplina têm origem no verbo latino discere, que significa aprender. O discípulo se prepara através da disciplina, donde se conclui inicialmente existir um modelo ao qual o discípulo está inteiramente submisso. No caso da Igreja, este modelo é Jesus Cristo. Portanto, discipular, para nós cristãos é transformar o pecador que se arrepende em imitador de Cristo. Eis a síntese da grande comissão: Ide e fazei discípulos.

Reforma e discipulado – A Reforma Protestante, movimento religioso desencadeado por Martinho Lutero no século XVI partiu exatamente deste princípio. Era necessário voltar às origens do evangelho, para que se pudesse verdadeiramente transformar os cristãos em imitadores de Cristo.

                Recém-saída da Idade Medieval, a população da Europa era composta majoritariamente de analfabetos, e Lutero empreendeu desde logo um amplo movimento que visava a varrer o analfabetismo daquele continente. E não somente isto, era necessário  que o aprendizado fosse  além do religioso, habilitando o cidadão a planejar sua vida financeira, social e política, abrindo assim espaço para uma cidadania idônea e produtiva. A feliz coincidência da invenção da imprensa por outro alemão, Johannes Gutenberg, pouco antes da Reforma,  facilitou tremendamente  essas mudanças, das quais Lutero incumbiu seu amigo e colaborador Felipe Melanchton. As cidades foram instadas a abrir escolas públicas e os pais foram obrigados a  matricular nelas os seus filhos. Lutero traduziu a  Bíblia para o alemão e convenceu os países que aceitaram a Reforma a fazerem o mesmo para seus idiomas vernáculos. A escola pública tornou-se o maior veículo de divulgação da Reforma. Dali em diante o ensino abrangia não só a religião, como também matérias que abriram espaço para uma grande revolução cultural. Com as medidas recomendadas por Melanchton, a educação deixou de ser privilégio da nobreza e do clero, e alcançou todas as classes sociais. O estudo das ciências exatas, da medicina promoveu um grande salto de qualidade na vida dos países reformados, colocando-os na vanguarda  do  mundo civilizado.

Conclusão – O verdadeiro discipulado deve começar pelo estudo acurado da Palavra de Deus. E para que ela seja bem compreendida é necessário que o povo seja esclarecido e suficientemente instruído nas letras humanas. Por isto as igrejas devem cuidar em abrir escolas que promovam conhecimentos seculares, em paralelo com os ensinamentos religiosos, a fim de que todos venham a participar não só das bênçãos espirituais reservadas à Igreja, mas também das bênçãos materiais que estão ao alcance de quem melhor se prepara culturalmente. Antes da Reforma a escola, em todos os níveis, era privativa da nobreza e do clero. Sem dúvida a Reforma abriu ao povo um amplo espaço cultural que está ao alcance de todos os que estiverem dispostos a se tornarem não só ouvintes, mas cumpridores da palavra de Deus.

Pr. Paulo Ferreira

   Paulo Ferreira é pastor na Assembleia de Deus do Rio de Janeiro. Tradutor e articulista dos periódicos da CPAD e autor do livro A REFORMA EM QUATRO TEMPOS, publicado pela CPAD.

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