IGREJAS, ONGS E TRANSPARÊNCIA CRISTÃ

Pr. Paulo Ferreira

 

Conhecidas também como OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) e Organizações do Terceiro Setor, as ONGs (Organizações Não Governamentais) proliferaram desordenadamente no Brasil. Em 2002 existiam 276 mil em nosso país, mais de 100 mil só na Amazônia. Nelas os serviços de inteligência descobriram tráfico de drogas, de armas, lavagem de dinheiro e espionagem. Em 2007/2008 vieram a público números preocupantes e envolvimentos perturbadores dessas instituições, muitas das quais estrangeiras, dispondo de vultosos recursos e crescente ingerência em política interna. Algumas criaram dificuldades na execução de importantes projetos, tais como hidrelétricas, usinas nucleares e na transposição do rio S. Francisco. Citamos como exemplo a tentativa de impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, resultando em imensos prejuízos às populações ribeirinhas e à economia da Amazônia.

Cálculos de 1999 estimam haver entrado no Brasil, naquele ano, mais de 500 milhões de dólares destinados a essas instituições. O IBGE calcula ainda que, entre 1999 e 2006, 4789 ONGs receberam 15,3 bilhões de Reais do governo Federal. Com tais recursos elas interferem nos mais diversos setores da sociedade, inclusive assediando igrejas. Em 2005 ocorreu a tragédia da irmã Dorothy Stang, freira norte americana parceira de grupos ambientalistas, assassinada no Pará, em conflito de terras. Em março de 2007 o Senado Federal instalou Comissão Parlamentar de Inquérito para investigá-las.

Igrejas evangélicas brasileiras começaram a envolver-se com as ONGs na década de 1980, a partir da chegada ao Brasil de bizarros pregadores americanos. Dessa invasão de obreiros e recursos estrangeiros surgiram pastores-empresários e igrejas-empresa, o que seduziu alguns obreiros nacionais de renome. Seguiram-se a onda “gospel”, os cultos-shows, e essas “igrejas” se tornaram fontes de renda para seus titulares. Os efeitos sobre a doutrina não se fizeram esperar, dando surgimento a um evangelho superficial, focado no sucesso financeiro. Em 1999 a revista Obreiro, da CPAD, publicou um artigo alertando as igrejas a não se deixarem envolver pelos velhos bordões dos direitos humanos e da ecologia, ardilosamente manipulados. (Igreja, Nova Era e ONGs - Obreiro, número 07, ano 23, fevereiro 1999). A tática era atrair igrejas e agências missionárias a participarem de projetos, mediante retribuição, que variava desde pequenas doações, até o pagamento de bons salários e abundantes recursos financeiros. Surgiu então essa instituição híbrida, meio igreja meio ONG, envolvida com alfabetização, assistência social, adoção de crianças, projetos missionários, defesa de minorias, preservação ambiental e redes de comunicação. Os líderes eram cooptados e as igrejas se transformavam em biombos de atividades ilícitas. Não raro se envolviam com política partidária, acrescentando recursos públicos aos dízimos e ofertas, em benefício de redutos eleitorais. A partir de então surgiram ONGs atreladas a igrejas, usufruindo ilicitamente das isenções fiscais destas. A mídia tem divulgado com relativa freqüência os escândalos que se sucedem nesse ambiente promíscuo. Ficou notório em 2007 o chamado “escândalo das ambulâncias” ou “das sanguessugas”. A fraude consistia na entrega desses veículos a igrejas, com defeitos,

sem equipamentos, e superfaturados. Políticos foram cassados, ou tiveram que renunciar aos seus mandatos.

Infelizmente algumas igrejas transformaram-se em ONGs e em prestadoras de serviço social. Essa mistura tem alimentado o noticiário escandaloso, servindo de escárnio ao corpo de Cristo.

Paulo Ferreira é pastor na Assembléia de Deus Recreio dos Bandeirantes, R. de Janeiro. Diplomado em Altos Estudos de Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra (ESG).

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