A Igreja e as crises humanitárias

Pr. Paulo Ferreira

Corria o ano de 1859. Jean-Henri Dunant, comerciante suíço com negócios no norte d’África, tentava entrevistar-se com o imperador francês, Napoleão III, a fim de dirimir pendências em seus negócios naquela região. O imperador encontrava-se na Itália, onde seu exército, aliado aos italianos, enfrentava uma invasão dos austríacos. Dunant presenciou a batalha decisiva da guerra nas proximidades da cidade de Solferino. Testemunhou o sofrimento de milhares de feridos entregues ao abandono, sem qualquer tipo de tratamento. Dunant era filho de calvinistas e crescera vendo seus pais participarem de atividades de ajuda ao próximo, cuidando de pobres, ex-presidiários, doentes e necessitados. Ali mesmo em Solferino, diante do quadro horrendo de mortos e feridos, tomou a decisão de socorrer os milhares de feridos de ambos os lados mobilizando voluntários, abandonando a ideia de entrevistar-se com o imperador francês, motivo de sua viagem de negócios. Nascia o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e esboçavam-se as primeiras Convenções de Genebra, para cuidar de feridos e mutilados daquela sangrenta batalha. Dunant foi o primeiro ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1901.

Hoje sabemos que não somente as guerras produzem crises humanitárias. Catástrofes naturais, como secas e enchentes; dramas de refugiados e fugitivos em busca de vida digna; preconceitos de raça ou religião; perseguições políticas; escassez. É no meio desses dramas que surge a Igreja, como fonte de esperança. Voltando aos primórdios dela, encontramos Jesus exercendo seu ministério holístico, curando, alimentando, e oferecendo vida eterna, onde coisas materiais nada significam considerando-se a presença salvífica do Espirito Santo em nossos corações. No episódio da multiplicação dos pães Jesus se compadece de uma multidão faminta e necessitada, e a compara com um rebanho sem pastor. Alimenta-a. Dia seguinte foge da mesma multidão, que buscava arrebatá-lo para fazê-lo rei. Queriam alguém que tão somente os alimentasse de pão material.

Eis o grande diferencial da Igreja. Enquanto as instituições humanas buscam apenas saciar a fome material, nós oferecemos às multidões famintas o pão da vida. Não só o maná, através do qual Deus provou o povo no deserto. Mas o pão vivo, que desceu do céu – Jesus. Cuja carne e cujo sangue nos garantem a vida eterna. Amém.

Paulo Ferreira é pastor na Assembleia de Deus Recreio dos Bandeirantes - RJ

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